Bem vindo à Quinta da Broa!

Rafael-José-da-CunhaRafael José da Cunha, nascido em Castelo Branco em 1792 e baptizado na Covilhã no seio de uma familia de agricultores de eleição, com estreitas ligações à Casa Real, muito novo ainda percorre a Europa, inteirando-se de grande inovações no mundo agrícola e apercebendo-se que só no Ribatejo as podia pôr em prática; com familiares influentes em Tomar e Torres Novas decide deslocar-se e fixar-se na Golegã em 1817. A partir de então, por arrendamento primeiro, e por aquisição depois, torna-se, como era chamado, no "Príncipe dos Lavradores de Portugal".

Cultivando cereais, vinha e olival, cedo passa também a criador de gado cavalar e de bovinos de trabalho. Em 1817 dá pois inicio à sua coudelaria a qual é percursora e atinge a plenitude nos famosos Cavalos Veiga de pura Raça Lusitana, linhagem esta com quase 200 anos de existência, verdadeiro ex-libris do cavalo em Portugal e no Mundo.

Em 1830 inicia também a criação de gado bravo; estreia-se em 1837 na Praça do Campo de Santana em Lisboa; seu era também o primeiro toiro português lidado em Madrid, em 1854; oferta de amigos espanhóis, a cabeça embalsamada desse "Azeitono", ainda hoje se mantem "orgulhosa", na parede frontal da "Casa dos Carros" da Quinta da Brôa.

Sem descendência directa, pois não casou, assegura no entanto, que todo o seu património continuasse, como até aos dias de hoje, na posse de seus familiares ou de colaboradores mais próximos.

Descendentes seus são, portanto, os actuais proprietários da quinta, Senhora Dona Maria Amélia Coimbra de Castro Veiga e seu filho Senhor Manuel de Castro Tavares Veiga.

dscn29902A Quinta da Brôa tem assim a sua origem na Quinta do Almonda, arrendada em 1829 ao 8°. Conde da Ribeira Grande e que foi depois por Rafael José da Cunha adquirida, em 1831. A prosperidade gerada pelos êxitos de boa administração, atraía os povos da região, pedindo esmola, e a eles lhes dava broa, e daí: um mendigo "ia à broa", passando então o povo a chamar-lhe Quinta da Broa, denominando depois de "Palácio Novo" todo este conjunto habitacional e de assento de lavoura, mandado edificar onde primitivamente teriam existido outras construções.

Situada na Freguesia da Azinhaga, Concelho da Golegã, Distrito de Santarém, é circundada pelo rio Almonda, em cujas férteis aluviões pastoreiam equinos, bovinos e ovinos num enquadramento de rara beleza, que pode ser apreciado do "espargal" sobranceiro e onde se situam o casario e toda a área coberta.

A Quinta conta com uma ampla área habitacional, onde vive a família, continuadora da residência magnifica a qual, objecto de recentes e importantes restauros, a expensas próprias, permite apreciar maravilhosos frescos da vida do campo, em amplos salões, e admirar a "jóia da casa", a riquíssima capela, onde jaz Rafael José da Cunha, o "virtuoso amigo dos pobres". Nesta zona situa-se igualmente um recanto de jardins paradisíacos.

dscf60472Mas a intensa actividade agro-pecuária exigia muito mais e assim, por esses amplos pátios e terreiros, onde a sombra de plátanos seculares embeleza e ameniza, encontramos a cavalariça e casa de arreios, de esmerado bom gosto. Armazéns, telheiros de máquinas e alfaias, lagar de azeite e escritórios, outros dos "cómodos" ali existentes. Noutro extremo, um picadeiro, onde se trabalha, no dia-a-dia, de manhã à noite. Ainda neste conjunto, mais ao centro, a "casa dos carros", recheada das mais belas atrelagens, sempre prontas a servir, e com as paredes a ostentar inúmeras relíquias de um passado centenário, mas também com muitos retalhos da actualidade, centrados em torno da Feira de São Martinho.

Outro núcleo habitacional existe ainda do outro lado da Estrada Real, a Quinta da Piedade, com um conjunto de casas de trabalhadores, hoje desabitadas, assim como telheiros e armazéns, ao lado de casa senhorial.