Coudelaria Veiga - História
A Coudelaria Veiga, com sede na Quinta da Broa, Azinhaga do Ribatejo, foi fundada há 220 anos por Rafael José da Cunha, o denominado Príncipe dos
Lavradores Portugueses. De entre os reprodutores da sua coudelaria contam-se dois garanhões de sangue Alter, oferecidos àquele famoso lavrador pelos Reis
D. Fernando II e mais tarde, por seu filho D. Pedro V quando visitaram a Quinta da Broa. Por herança familiar, a coudelaria veio a ser herdada pelo Eng.º
Manuel Tavares Veiga, sobrinho-bisneto de Rafael José da Cunha.
O trabalho que desenvolveu na coudelaria foi notável, podendo ser justamente considerado o iniciador do novo ciclo do ginete lusitano em Portugal.
Possuidor de uma sensibilidade invulgar, foi seleccionando animais cujas características morfológicas e anímicas entendeu melhor corresponderem à
funcionalidade guerreira exigida aos cavalos de toureio.
Depois, usou o método de cruzamentos consanguíneos, tendo em vista o apuramento das espécies dentro da mesma raça e a homogeneidade necessária à
fixação das suas próprias características.
Após paciente espera, encontrou cavalos equivalentes aos ginetes famosos da antiga Ibéria, seleccionados durante milhares de anos como cavalos de guerra,
moldados para esse fim.
Desta forma atingiu um objectivo verdadeiramente nacional, pois fixou na raça dos seus cavalos as características apuradas, devolvendo, através deles, ao
nosso país, a pureza do património genético há muito adormecido do antiquíssimo ginete lusitano.
Mencionemos, a propósito, os cavalos Lidador, Agareno, Berber e Sultão, pela importância que tiveram na fixação das características da coudelaria.
Depois da morte do Eng. Manuel Tavares Veiga, os seus netos Manuel e Carlos Tavares Veiga e o seu bisneto Manuel de Castro Tavares Veiga souberam
manter a coudelaria com a qualidade inicial.
De então para cá, vem levando a cabo um trabalho de selecção das éguas com base no modelo, na genealogia, na qualidade dos produtos fornecidos e na
análise das suas características funcionais.
Um antigo armazém de azeite, que conserva os depósitos em pedra, guarda os prémios que a coudelaria foi ganhando ao longo dos anos. "Decidimos
conservar os depósitos, também fazem parte do património, embora já não guardem azeite desde há muitos anos. Mesmo assim, se levantarmos as tampas
ainda cheiram a azeite", diz Manuel Veiga.
Nas paredes, estão expostos inúmeros trofeus e, em cima dos depósitos, foram dispostos os carros de cavalos, selas e arreios, alguns deles autênticas
relíquias: "Todas estas peças fazem parte da história da família. Foram de cavalos que ganharam prémios e eram utilizadas pelos meus antecedentes nas suas
montadas", diz Manuel Castro Veiga que fala com prazer deste valioso património. Alguns dos carros continuam a ser utilizados no dia-a-dia como meio de
transporte no interior da quinta, outros aguardam reparação - "é muito caro reparar um carro destes, fazemo-lo à média de um por ano" - outros ainda são do
melhor que se fabricou neste tipo de veículos de tracção animal. Como são os carros de um Feyton, construído pelo pariense Binder, ou um Dogcar.